Todas as vezes que ouço algo sobre religião popular, quando estou em conversas informais, escuto a seguinte frase:- Credo! "Fulana" é da macumba, tenho medo dessas coisas! Prefiro ir à mesa branca, assim mesmo vou poucas vezes, fico só com a bíblia e Deus.
Esse pensamento permeia a sociedade brasileira, pois é vergonhoso se declarar adepto ou simpatizante de uma religião classificada como primitiva e de negros africanos. Nada de mais se o indivíduo tem ou não tem uma fé, porém, o que me fez pensar sobre esse assunto é o fato da nossa sociedade brasileira ser formada basicamente de negros escravos. Essa sociedade que tem como hegemonia o homem branco europeu que forçosamente arrancou brutalmente o negro, cerca de 3,6 milhões, e o condenou a escravidão perpétua em um continente hostil. Com o imperialismo da religião católica ficou demonizado qualquer manifestação de crendice africana, subjugando os negros a outra cultura.
Ora ninguém levou em consideração às referências as memórias passadas como único vínculo com uma humanidade que ainda subsistia daí o nascimento dos cultos afros brasileiros. O que na verdade assistimos é a massificação e o branqueamento de uma raça sendo carimbada através de diversas formas a vergonha da origem, ou melhor, a negação do negro.
O próprio negro é levado a se condenar quando tenta buscar sua identidade africana, não lhe é permitido estudar sobre a religião afro, no máximo conhecer alguns aspectos da cultura africana. Não se pode conhecer a cultura de um povo sem passar pela religião. O que realmente me intriga é que aceitamos ideias e ideais estrangeiros quando negamos nossa formação matriz, o preconceito é praticado sem que as pessoas percebam, pois são levadas a se sentirem chiques por pertencerem a grupos politicamente corretos do que assumirem sua negritude. Quero esclarecer que não defendo crença alguma apenas questiono o domínio a uma etnia. Também vemos isso acontecer com outros grupos de outras partes do mundo que aqui se estabeleceram, no entanto são minorias e posteriores a migração do negro.
Há discurso de democracia racial, mas o modelo é dos países brancos desenvolvidos enquanto isso as favelas estão cheias de negros, na verdade o que se oculta é uma grande desigualdade racial e estrutural. Enquanto o povo não compreender que a identidade de uma nação se faz com conhecimento e reconhecimento da sua face, com valores pautados na sua história, só assim escreverão o seu futuro.
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